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Murmúrio do Mundo (O)
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Ilustrador: Pacheco, Bárbara Assis Editor: Tinta da China Ano de edição: 2012 Tipo de artigo: Livro ISBN: 9789896711115 C.I.: 00000262516 Número de páginas: 160 Edição: 1 Local edição: Lisboa Idioma: Português Encadernação: Cartonado Prefácio: Lourenço, Eduardo |
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Preço: 17,90 €Preço: 16,11 € |
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O livro por dentro
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Sinopse
«O viajante ocidental que pela primeira vez visita Goa e Cochim (agora Kochi) enfrentará provavelmente, apesar dos muitos traços do passado europeu, a vertigem do caos à sua volta e dentro de si. Quando começa a familiarizar-se com a estonteante exuberância e com as contradições coexistentes, quando julga começar a entender a complexidade das castas, dos cultos e costumes tão diferentes, quando começa a fixar nomes, imagens, atributos dos deu-
ses, tudo lhe foge de súbito, tudo se torna de novo confuso, como se o véu de Maia voltasse a cobrir a indecifrável irrealidade da Índia real.»
ses, tudo lhe foge de súbito, tudo se torna de novo confuso, como se o véu de Maia voltasse a cobrir a indecifrável irrealidade da Índia real.»
Sobre o Autor
Cursou Direito e Letras na Universidade de Lisboa, vindo a licenciar-se em Filosofia. Entre 1968 e 1969, estagiou como bolseiro nos Estados Unidos e na Alemanha Federal. Leccionou Estética e Filosofia da Arte na Universidade Nova de Lisboa.
Traduziu Enzensberger; a sua obra encontra-se traduzida em várias línguas. Foi o primeiro presidente do PEN Clube Português. Com apenas 19 anos, em 1962, publicou o romance Rumor Branco, Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Escritores, uma obra pioneira face a um movimento de profunda renovação desenvolvido na novelística contemporânea portuguesa entre os anos 60 e 70. Entre 1965 e 1983 redigiu o ciclo "Trilogia Lusitana" (A Paixão, Cortes, Lusitânia), encerrado com Cavaleiro Andante, "um ciclo de reflexão sobre a situação do homem português perante o seu contexto social e a incidência política que o determina (o fascismo, a revolução...) e sobre a sua capacidade (ou, talvez melhor, incapacidade) de se definir na sua totalidade humana (pessoal, familiar, erótica, ambiencial), em registos de comunicação que transcendem o puramente ficcional (lírico e epistolar), assim modulado numa estrutura que coloca em situação de relevo a personagem, agente ou paciente da História que aqui fundamentalmente se encontra em questão" (cf. SEIXO, Maria Alzira - Portugal, A Terra e o Homem, II série, Lisboa, FCG, 1980, 427). Optando por uma estratégia construtiva em que cada capítulo funciona como "uma unidade textual em termos de semântica (um nome próprio inicia cada um deles, subsequentemente desdobrando-se em processos de definição e de referência, assumindo veredas da história e postulando visões ideológicas particularizadas) e de sintaxe (não só pela comunicação de ideolectos diversificados como pelas mutações discursivas [...] que imprimem à sequência narrativa o seu desvio, a sua mutação, a sua quebra)" (cf. SEIXO, Maria Alzira - A Palavra do Romance, Lisboa, Horizonte, p. 193), o ciclo de romances iniciado com A Paixão impõe ao leitor um papel activo na reconstituição de uma realidade fragmentada e a que só pode aceder pelo confronto dos vários pontos de vista que cada personagem parcialmente constrói. Conseguindo uma fabulosa intersecção entre a subjectividade (o onirismo, a visão individualizada do mundo) e a perspectiva socioeconómica em cuja dialéctica a acção do indivíduo se inscreve, esta sequência apresenta-se como registo íntimo de um período histórico, onde, para além da factualidade (sublevação da massa dos servos alentejanos, eclodir da revolução), avoluma a impressão de um encerramento de cada personagem sobre si mesma, que nem a abertura, em Lusitânia e Cavaleiro Andante, à comunicabilidade pelo registo epistolar conseguiu atenuar: "cada um dos personagens [...] apesar de religado aos outros pelos laços de paixão ou do sangue, destila as suas mensagens de solitude na esperança de que o outro as receba e as traduza na sua própria língua de solitária aflição." (LOURENÇO, Eduardo, "Cavaleiro Andante: Busca de Sinais no Labirinto da Morte", in O Canto do Signo, Lisboa, Presença, 1994, p. 239.) Acresce ainda, na abordagem do estilo de Almeida Faria, a opção lúdica e lírica por uma "sintaxe narrativa de coordenação e quase abolição dos limites frásicos que serve a expressão do fluxo da consciência ao mesmo tempo que, muito principalmente, acentua o valor da palavra como conceito e como significante numa elaboração sintagmática que desnivela as habituais hierarquias da narração" (cf. SEIXO, Maria Alzira - Portugal, A Terra e o Homem, II série, Lisboa, FCG, 1980, 427). Na verdade, se a matéria da ficção releva em grande medida do gozo de "pôr os mitos nacionais de pernas para o ar", desrespeitar os delírios da "Portugalidade" (entrevista, in Letras & Letras, n.º 75, Julho de 1992), a matéria linguística revela o gozo de, parodiando o autor, desrespeitar os delírios da literariedade, submetendo a escrita narrativa a uma proliferação verbal incontida e criativa que, através de processos de polissemia, de desconstrução de aforismos, de sequências aliterantes, de reprodução de ideolectos, entre outros, promove a autonomia da linguagem a força primordial na remodelação da estrutura narrativa.
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